asleep on a sunbeam espaçodedicadoàlivreassociaçãodeidéias
 

Escrito por Daniela às 20:45
[] [envie esta mensagem]


 
  Dica do dia: http://www.cronopios.com.br/pocketbooks/brinquedos/

Escrito por Daniela às 16:18
[] [envie esta mensagem]


 
 

Problems With the Story

(Naomi Shihab Nye)

  

 

The story was too long.

Before you told it, you forgot it.

Before the snake unwound
his infinite body
from around the tree
the head forgot where he was going.

The story had too many beginnings.

If you stepped through a door
twelve others might open.

Did anyone have time?

The story, the story, whose was it?

Did someone else own it too?

The story knotted in the throat of a finch.

Sometimes the story felt cold after you told it.

The story might make his mother nervous.

This was only a translation of the story
I heard through a small crack
while sleeping.

This was not the best story.

Angels and bells did not follow this story
but still, I wanted to tell it.

It was the only chance I had
to find you.

 

 

 

 

 



Escrito por Daniela às 14:38
[] [envie esta mensagem]


 
 

                                                                   Augusto de Campos



Escrito por Daniela às 11:18
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

É a vingança dos dias:
antes tão pródigos, tão matinais,
de repente, como as pombas aos pombais,
não voltam. E você não teve tempo.
Porém lá fora a coisa continua,

com você ou sem.
Você prefere com: é natural.
E quer revanche. Quer tudo. Moral:
Contra os deuses e sua inexistência
de nada valem os DDTs da vida.

 

 

 

Poema: Paulo Henriques Britto 
"Dez exercícios para os cinco dedos"
em Trovar Claro (Cia. das Letras)
 



Escrito por Daniela às 09:35
[] [envie esta mensagem]


 
 

Manual prático de levitação

José Eduardo Agualusa


Não gosto de festas. Aborrece-me a conversa fiada, o fumo, a alegria fátua dos bêbados. Irritam-me ainda mais os pratos de plástico. Os talheres de plástico. Os copos de plástico. Servem-me coelho assado num prato de plástico, forçam-me a comer com talheres de plástico, o prato nos joelhos, porque não há mais lugares à mesa, e inevitavelmente o garfo quebra-se. A carne salta e cai-me nas calças. Derramo o vinho. Além disso odeio coelho. Faço um esforço enorme para que ninguém repare em mim, mas há sempre uma mulher que, a dada altura, me puxa pelo braço, vamos dançar?, e lá vou eu, de rastos, atordoado pelo estrídulo dissonante dos perfumes e o volume da música. Terminado o número, um tanto humilhado porque, confesso, tenho o pé pesado, sirvo-me de um uísque, com muito gelo, mas logo alguém me sacode, o que foi, meu velho, estás chateado?, e eu, que não, esforçando-me por sorrir, esforçando-me por rir às gargalhadas, como o resto da chusma, chateado? por que havia de estar chateado?, o dever da alegria chama-me, grito, lá vou, lá vou, e regresso à pista, e finjo que danço, finjo que estou feliz, pulando para a direita, pulando para a esquerda, até que se esqueçam de mim. Naquela noite estava quase a ser esquecido quando reparei num sujeito alto, todo vestido de branco, como um lírio, alva cabeleira à solta pelos ombros, a rondar sombriamente os pastéis de bacalhau. O homem parecia estar ali por engano. Achei-o de repente tão desamparado quanto eu. Podia ser eu, excepto pela roupa, pois evito o branco. O branco não é muito apropriado para o meu negócio. Menos ainda as cores garridas. Obedeço ao lugar-comum — visto-me de negro. Aproximei-me do homem, numa solidariedade de náufrago, e estendi-lhe a mão.

— Sou Fulano — disse-lhe. — Vendo caixões.

A mão do homem (entre a minha) era lassa e pálida. Os olhos tinham um brilho escuro, vago, como um lago, à noite, iluminado pela luz do luar. A maioria das pessoas não consegue disfarçar o choque, ou o riso, depende da circunstância, quando escutam a palavra caixões. Alguns hesitam: paixões? Não, corrijo, caixões. O sujeito, porém, permaneceu imperturbável.

— Nenhum nome é verdadeiro —, respondeu-me, com forte sotaque pernambucano. — Mas pode me chamar Emanuel Subtil.

— E o que faz o senhor?

— Sou professor...

— Ah Sim? E de quê?

Emanuel Subtil sacudiu a cabeleira num movimento distraído:

— Dou aulas de levitação.


Escrito por Daniela às 11:47
[] [envie esta mensagem]


 
  — Levitação?!

— Levitação, sabe?, fenômeno psíquico, anímico, mediúnico, em que uma pessoa ou uma coisa é erguida do solo sem um motivo visível, apenas devido ao esforço mental. A mente movimenta fluidos ectoplasmáticos capazes de vencer a força da gravidade. Eu ensino técnicas de levitação. Sem arames nem outros truques soezes.

— Interessante! Muito interessante! —, respondi, tentando ganhar tempo para pensar. — E tem muitos alunos?

O homem sorriu-me gravemente. É certo que não, disse, nos dias de hoje são poucas as pessoas interessadas em levitar. Tristes tempos estes. O triunfo do materialismo tem vindo a corromper tudo. Escasseiam as vocações para as obras do espírito. As vocações e a força mental — sugeri timidamente. Sim, confirmou Emanuel Subtil, sacudindo outra vez a magnífica cabeleira branca, e a força mental. As pessoas preferem manter os pés bem assentes na terra. E levitava, ele?, quis eu saber. Isto é, praticava com freqüência essa arte esquecida? Emanuel Subtil sorriu absorto:

— Não há dia em que não pratique. Levitar, meu caro senhor, é o mais completo dos exercícios. Cinco minutos em suspensão, logo pela manhã, ao romper da alva, estimula todos os órgãos vitais e regenera a alma.

Inclusive acontecia-lhe às vezes levitar por descuido. Contou-me que São José de Copertino, que viveu entre 1603 e 1663, sofria ataques de imponderabilidade sempre que algo o emocionava. Chamava a isso, com terror, "as minhas vertigens". Um domingo, durante a missa, elevou-se no vazio e durante largos minutos pairou numa aflição sobre o altar, em meio à chama aguda das velas, e ao alarido das beatas, ficando gravemente queimado. A igreja afastou-o, durante 35 anos, de todos os rituais públicos, em razão destas práticas extravagantes, mas nem isso impediu que a sua fama se propagasse. Uma tarde, passeando o santo homem pelos jardins do mosteiro, em companhia de um monge beneditino, foi subitamente arrastado até aos ramos mais altos de uma oliveira por um golpe de vento. Infelizmente sucedia com ele o mesmo que com os gatos, ou os balões, toda a sua propensão era para subir, não para descer, de forma que os monges tiveram de o resgatar de lá com o auxílio de uma escada. Murmurei qualquer coisa sobre a vocação mística das oliveiras, a tendência que demonstram, desde há milênios, para acolherem santos e demiurgos. Emanuel Subtil, porém, ignorou a minha observação. O caso de São José de Copertino, explicou, servia-lhe somente para ilustrar os perigos que incorre um leigo, ainda que excepcionalmente talentoso, ao praticar a arte da levitação sem o acompanhamento de um mestre:

— Você oferecia um Ferrari a uma criança? Certamente que não!

Concordei logo. É claro, por amor de Deus!, não o punha nem nas minhas mãos.

— Levitar não é para qualquer um, — prosseguiu Emanuel Subtil carregando nas palavras. — Levitar exige fé, perseverança e ainda algo mais: responsabilidade. Quer tentar?

E logo ali expôs as suas condições. Trezentos reais por mês. Quatro vezes por semana. Uma hora cada sessão. Naturalmente, acrescentou, seria impossível observar resultados antes de três a quatro meses.

— E se não obtiver resultados?



Escrito por Daniela às 11:46
[] [envie esta mensagem]


 
 

Emanuel Subtil sossegou-me. Em três meses, convenientemente orientado, até um elefante consegue levitar. Mas ainda que eu me revelasse tão mau levitador quanto bailarino (só então percebi que passara a noite a observar-me) ele próprio me daria um empurrão. Citou-me o caso de um famoso médium inglês, Daniel Douglas Home, que nos anos trinta desafiava a tradicional fleuma britânica fazendo flutuar pianos e outros objectos pesados. Conta-se que uma noite levou um boi para o salão de um rico industrial, e o ergueu no ar. Ia o boi ao nível dos lustres, bem alto e iluminado, quando, por distracção ou um repentino desfalecimento de fé, lhe falharam as forças (ao médium), romperam-se os fluidos ectoplasmáticos, e o animal precipitou-se, com brutal fragor, sobre duas das acólitas.

— Morreram?

— O que lhe parece? — Suspirou. — A história da aeronáutica está cheia de tragédias, pequenas e grandes, mas nem por isso deixamos de andar de avião.

Declinei o convite. A festa chegara ao fim. Um velho negro dançava sozinho, de lágrimas nos olhos, alheio à música, vamos chamar-lhe música, uma mistura de alarme de carros, já rouco e exausto, e metais em convulsão. Duas raparigas muito loiras, muito lânguidas, dormiam abraçadas num sofá. Eu não conhecia ninguém. Ninguém me conhecia.

—Talvez você saiba de alguém que dê aulas de invisibilidade. Nisso estou interessado.

Emanuel Subtil olhou-me com desdém. Não respondeu. Já no hall, enquanto escolhia um guarda-chuva discreto, conforme ao meu ofício, entre um denso molhe deles, ainda vi o brasileiro abrir caminho através do fumo espesso e desabar no sofá, junto às duas raparigas loiras. Vi-o fechar os olhos. Cruzar os braços sobre o peito magro. Pareceu-me que sorria. Tenho conhecido gente um pouco estranha nestas festas. Existe de tudo. As ocupações mais bizarras. Eu sei, é claro, que isso depende sempre da perspectiva. Eu, por exemplo, vendo caixões. O meu pai vendia caixões. O meu avô vendia caixões. Cresci nisto. Acho até prosaico. Preferia, reconheço, dar aulas de levitação. Paciência. Consola-me saber que a morte é melhor negócio. Como o meu avô dizia - só uma coisa me aflige: a imortalidade.



Escrito por Daniela às 11:46
[] [envie esta mensagem]


 
  Happy Valentine's Day!



Escrito por Daniela às 12:59
[] [envie esta mensagem]


 
 

Cultivar a saudade, como se cultiva uma flor...

 

 

 

 

 

 



Escrito por Daniela às 16:34
[] [envie esta mensagem]


 
 

Staring Girl

 

I once knew a girl
who would just stand there and stare.
At anyone or anything,
she seemed not to care


She'd stare at the ground,


She'd stare at the sky.


She'd stare at you for hours,
and you'd never know why.


But after winning the local staring contest,


she finally gave her eyes
a well-deserved rest.

 

 

poema retirado do livro “The Melancholy Death of Oyster Boy and Other Stories”, de Tim Burton

 



Escrito por Daniela às 17:27
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

O banco do jardim

 

(Gonçalo M. Tavares)

 

O senhor Henri estava no jardim em frente ao seu banco preferido, onde sentada uma mulher tocava violino. O senhor Henri interrompeu a violinista e disse: António Stradivarius foi o mais famoso construtor de violinos.

... era o arquitecto dos violinos, bem se pode dizer.

... ele experimentou vários tipos de violinos até se decidir pela dimensão e forma do actual violino Stradivarius.

... eu poderia ter sido um grande violinista, mas nunca soube tocar violino.

... porém, o álcool apareceu muito antes do violino.

... muito antes de existirem violinistas já  existiam pessoas inspiradas artisticamente pelo álcool.

... por isso faça o favor de sair desse banco com o seu violino.

... porque esse banco é meu – disse o senhor Henri.

 

(imagem: Ben Vautier - Le Voyeur)



Escrito por Daniela às 11:26
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

O Senhor Valéry era pequenino, mas dava muitos saltos.
Ele explicava:
Sou igual às pessoas altas, só que por menos tempo.

Gonçalo M. Tavares (O Senhor Valéry)

 

 

 

 



Escrito por Daniela às 13:19
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

Ninguém nos verá. Os sapatos: mudos;

os corpos: transparentes; o aeroporto

finge que não houve. Ninguém ouvirá

de nós os passos sem cadarços.

 

Nossos passaportes? Sem fotos. Secreta

Viagem, para onde deixaremos de nós

algo tão belo (uma sílaba? Uma letra?

Um?) que parecerá imprestável

 

Diante das flores insuportavelmente

doces do Aterro do Flamengo,  prontas

para o frasco. Seremos um lugar

silencioso, liso, concentrado,

 

sem o olor dos parques abertos

à visitação, aos corredores, às bicicletas.

Uma viagem secreta.

Diga que sim,

 

que sim

(a beleza injustificada dos poemas,

a alegria dos cronópios, o clarão

do gozo, o ramo muito alto do riso).

 

Viajarmos até onde coubermos,

Até onde quisermos a vontade.

Não levaremos a dor.

Não carregaremos medo.

 

Diga: sim! Depois combinamos

o resto. Marcaremos a data.

Etc, etc,

etc.

 

 

Aceite (Eucanaã Ferraz)

 

 

 



Escrito por Daniela às 09:56
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

Som de celo

 

(Alice Ruiz e Waltel Blanco)

Você tem o dom
de pôr som de celo
onde havia gelo
quem dera tê-lo
você e teu dom
de transformar esse silêncio
num solo de celo
quem dera descobrir
teus zelos véu por véu
descobrir talvez um novo céu
e nele vê-lo
entre as estrelas
cobrir você
com meus cabelos
quem dera este celo
não fosse tão solo
quem dera você para sê-lo

 

 

 



Escrito por Daniela às 14:59
[] [envie esta mensagem]


 
 



Escrito por Daniela às 10:29
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

O homem ou é tonto ou é mulher

(Gonçalo M. Tavares)

 

 

Não sou anarquista, mas deito constantemente bombas nas conversas.

Detesto conversas longas.

Detesto conversas sobre um único assunto.

 

(tira uma rosa do bolso)

Gostam da minha rosa?

Foi-me oferecida por um morto.

 

As rosas dos mortos resistem melhor à vida.

Li isto numa revista.

A revista foi à falência, é claro.

Ninguém acredita nestas coisas.

 

Os mortos são os maiores amigos dos vivos.

Não criticam e não batem palmas desnecessárias

Se fizéssemos um ato muito disparatado eles se levantariam certamente para protestar.

Se continuam calados é porque, afinal ainda não fizemos muita asneira.

De qualquer maneira esperemos para ver. As máquinas

continuam em funcionamento.

 

Não sou um anarquista,  mas também não sou parvo.

Conheço-os bem.

Sei bem o que eles querem.

Quando vou trabalhar levo só a pele.

Por dentro fico em casa a dançar.

Já vos disse que adoro dançar?

 

Já devo ter dito.

 

Estou sempre a repetir as mesmas coisas.

A minha mulher, ao fim de 5 anos, disse-me:

- Tu estás sempre a repetir as mesmas coisas.

E então eu, apesar de muito teimoso, decidi mudar alguma

coisa: troquei de mulher!

Parece-me bem!

Escrito por Daniela às 12:35
[] [envie esta mensagem]


 
  (continuação)

Agora tenho uma mulher muito sonhadora.

Ou dorme ou sonha.

Quando dorme, dorme.

Quando acorda senta-se em cima da cama, olha pela janela

com um ar vago, e sonha.

É o seu ofício.

Cumpre horários.

Sonha desde as oito da manhã até  as 11 da noite.

É um dia inteiro, pasmada, a olhar pela janela, a sonhar.

Só interrompe os sonhos para fazer as refeições.

As refeições dela são uma dura realidade.

 

Ela não devia fazer interrupções tão acentuadas.

É um excesso de realidade, assim, de repente.

 

Agora vou dançar um bocadinho. (dança)

 

Já vos disse que adoro dançar?

 

Não sou anarca, mas não sou parvo.

Trabalho numa fábrica que produz  um produto chamado

PRODUZIR

- O que é que tu fazes? Perguntam-me muitas vezes.

- Eu produzo!

- E o que é que tu produzes?

- Eu produzo um produto, está claro.

E depois, quando explico que produzo o produto Produzir,

Eles ficam surpreendidos, mas acabam por me dar

os parabéns.

- Não sabia que tinhas um trabalho tão importante – costumam dizer – o produto Produzir é o mais importante produto da sociedade atual. Continua – dizem-me eles.

Coragem – dizem-me eles.

 

- No fundo eles são uns palermas!

 

Não percebem nada disto.



Escrito por Daniela às 12:35
[] [envie esta mensagem]


 
  (continuação)

Nem sequer devem saber dançar!

Têm pés com agilidade de ramos de árvores.

Só se mexem quando empurrados por uma grande ventania.

(olha para os pés)

 

Se o meu pé esquerdo fosse uma árvore e se o meu pé direito fosse uma árvore eu não conseguiria dançar.

Parece-me lógico.

 

Eu sempre fui muito bom na lógica.

Conheço os números todos.

Não os algarismos, isso é fácil, eu conheço é os números.

Um a um.

É como se fossem velhos companheiros.

 

1, 2, 3, 4

 

Um a um.

Os números todos.

1, 2, 3, 4

todos.

Todos os números.

Conheço-os a todos.

Eles não me enganam.

Pensam que são muitos, mas não são. São poucos.

1, 2, 3, 4,  etc., etc.

todos os números; é importante saber todos os números.

 

1624

 

52

 

552

 

779

 

50.443

 

18                15

 

Vêem. É fácil.



Escrito por Daniela às 12:33
[] [envie esta mensagem]


 
  (continuação)

Temos de conhecer todos os números.

Depois, sim, podemos começar a viver.

 

Um dia, o professor de física pediu-me para calcular a energia libertada no choque do corpo de um menino que caíra da altura de 50 metros.

Eu respondi-lhe que se o menino fosse mesmo menino nunca chegaria ao chão, mais que não fosse por teimosia.

 

As crianças são muito teimosas, toda a gente sabe.

Têm a mania de contrariar.

Se lhes dizem: façam isto!

É mais do que certo que elas não o façam.

Está-lhes no sangue.

Por isso é que eu respondi aquilo ao professor de física.

- Se o peso do corpo quer obrigar o menino a cair, é certo

que ele vai contrariar essa ordem e não vai cair;

isto parece-me lógico, não é?

 

Pois é. Resultado: fui reprovado!

 

Uns burros, estes professores!

 

Só um colega é que me deu o parabéns pela minha resposta.

Eu tinha respondido que o menino não cairia no chão e aproveitaria a oportunidade de estar em plena queda para aprender a voar.

Esse colega disse-me:

- "Tu és um poeta! Um grande poeta”!

 

É claro que tive de lhe dar um soco, porque estava muita gente a ver e eu não podia deixar que pusessem a minha masculinidade em questão.

Poeta, eu?!

Como é possível, eu que gosto tanto de mulheres.

 

Palermas! Todos uns palermas!

 

 

 

 



Escrito por Daniela às 12:31
[] [envie esta mensagem]


 
 

                                              (imagem: Ensor)

 

De Vulgari eloquentia

(Paulo Henriques Britto)

A realidade é coisa delicada,
de se pegar com as pontas dos dedos.
Um gesto mais brutal, e pronto: o nada.
A qualquer hora pode advir o fim.
O mais terrível de todos os medos.

Mas, felizmente, não é bem assim.
Há uma saída - falar, falar muito.
São as palavras que suportam o mundo,
não os ombros. Sem o "porquê", o "sim",

todos os ombros afundavam juntos.
Basta uma boca aberta (ou um rabisco
num papel) para salvar o universo.
Portanto, meus amigos, eu insisto:
falem sem parar. Mesmo sem assunto.



Escrito por Daniela às 12:05
[] [envie esta mensagem]


 
 



Escrito por Daniela às 11:39
[] [envie esta mensagem]


 
 

homenagem a B

                                        rossa

                         Joan

 



Escrito por Daniela às 13:40
[] [envie esta mensagem]


 
 

ROMÂNTICO

Amar noutro mundo
que não este.
Poder equilibrar - perfeito -
um prato sobre um alfinete.
Equilibrar um livro, uma casa,
sobre um alfinete.
Outro mundo. Sua maquete:
palavra e cavalete.
Outro: este, mas
em falsete. Sete vezes
mais belo, mil mais leve.
Setecentos o mesmo gesto - amar -
e, no entanto, não se complete.
Um rio que se repetisse,
um Tibete ameno, translúcido - e seu fundo,
em que não se chegasse,
era jamais a morte.

 (Eucanaã Ferraz)



Escrito por Daniela às 14:02
[] [envie esta mensagem]


 
 

Nunca pude escribir bien el relato que mostraría esta imbricación de la literatura y lo objetivo, ya a la vez el voluntario desgarjarse de aquélla, que en el fondo odia el realismo. La idea es la de un hombre sentado en un sofá verde junto a un ventanal sobre el parque, leyendo una novela donde una mujer encuentra furtivamente a su amante, conviene en la necesidad de asesinar al marido para quedar libres, y sube las escaleras que la llevarán a la habitación donde el marido, sentado en un sofá verde, junto a un ventanal, lee una novela...

(texto: J. Cortázar - Diario de Andrés Fava; e imagem: M.C. Escher)



Escrito por Daniela às 21:06
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

A D O R N O

Dizer tudo numa frase, eis a coragem de quem escreve.
Ameaçar dizer tudo nas frases seguintes, eis a cobardia.
O tédio produz documentos.

Cada objecto tem uma filosofia, e eis o aparecimento dos gestos nos homens.
O que surgiu primeiro, o objecto ou o movimento com que o seguras?
Antes do verbo, as coisas ameaçavam uma linguagem que o silêncio antigo não poderia fazer.

Apesar de tudo, o silêncio tem menos palavras que uma palavra.

 

in «Biblioteca», de Gonçalo M. Tavares



Escrito por Daniela às 10:09
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

 

«Nas ondas do teu cabelo

ensinaste-me a nadar.

Agora que estás careca

ensina-me a patinar»
(autor anônimo)



Escrito por Daniela às 15:00
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

“Aprendi que a vida é bailarina

e que nenhum ponto inerte

anula o viravoltear das coisas...”

                                          

 

 

imagem: Alexander Calder
citação: Carlos Drummond de Andrade



Escrito por Daniela às 09:29
[] [envie esta mensagem]


 
 


(Ben Vautier)



Escrito por Daniela às 10:33
[] [envie esta mensagem]


 
 



Escrito por Daniela às 14:59
[] [envie esta mensagem]


 
   


(imagem: Balthus)

Para Maria da Graça
(Paulo Mendes Campos)

Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?"
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon!" Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gosta de gatos, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gatos se fosses eu?"
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! Mas quem ganhou ?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.
Disse o ratinho: "Minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.
Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

 

 



Escrito por Daniela às 11:31
[] [envie esta mensagem]


 
 

O nascimento do prazer

O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida – e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom – como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos – pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida.

 ... o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.

 

(Clarice Lispector – A Descoberta do Mundo)



Escrito por Daniela às 10:48
[] [envie esta mensagem]


 
 

B o r b o l e t a

Caleidoscópio
Assíndeto
Luzidia
Imagem
Grená
Raia
Ata
Me
A



Escrito por Daniela às 12:18
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

 

tradução livre (ou versão pessoal?) de poema chinês visto de relance em "Ideograma", obra organizada por Augusto de Campos 



Escrito por Daniela às 09:08
[] [envie esta mensagem]


 
  leitura dominical

 

o mesmo olhar

 

(1)

 

o olhar

se lança

insiste

vem

deseja

 

mas não se entrega

vende-se

que seja

 

 

 

(2)

 

olhar abissal

sabia-o

 

porém

deixa celebrar

 

tudo que se afasta

vira afeto

 

 

 

do livro teu nome em chamas, de Aldo Pereira Neto, lançado recentemente pela Editora Esquina da Palavra 



Escrito por Daniela às 19:30
[] [envie esta mensagem]


 
 
 
Jardim sentimental
 
O vento conspira com o bambuzal.
A chuva ensina a jabuticabeira a florir.
Grilos compõem a trilha sonora para as estrelas.
 
A lagarta gosmenta não acredita em borboletas
(mas elas existem - não há como negar).
O besourinho verdeamarelo é e basta.
 
A lua cheia conta à laranjeira segredos perfumados.
A romã se dobra e desdobra, até ficar ao contrário.
A flor da paixão dura apenas um dia.
E não mais. 


Escrito por Daniela às 07:21
[] [envie esta mensagem]


 
 

(Sandra Peres e Luiz Tatit)

 

o substantivo

é o substituto

do conteúdo

 

o adjetivo

é nossa impressão

sobre quase tudo

 

o diminutivo

é o que aperta o mundo

e deixa miúdo

 

um homem de letras

dizendo idéias

sempre se inflama

 

um homem de idéias

nem usa letras

faz ideograma

 

se altera as letras

e esconde o nome

faz anagrama



Escrito por Daniela às 12:36
[] [envie esta mensagem]


 
  (continuação)

 mas se mostro o nome
com poucas letras
é um telegrama

nosso verbo ser

é uma identidade

mas sem projeto

 

e se temos verbo

com objeto

é bem mais direto

 

no entanto falta

ter um sujeito

pra ter afeto

 

mas se é um sujeito

que se sujeita

ainda é objeto

 

todo barbarismo

é o português

que se repeliu

 

o neologismo

é uma palavra

que não se ouviu

 

já o idiotismo

é tudo que a língua

não traduziu

 

mas tem idiotismo

também na fala

de um imbecil



Escrito por Daniela às 12:34
[] [envie esta mensagem]


 
 



Escrito por Daniela às 00:07
[] [envie esta mensagem]


 
  humor do dia


(I love my problems)



Escrito por Daniela às 15:34
[] [envie esta mensagem]


 
  (pausa para a boa literatura)

Prefiro as linhas tortas, como Deus.
Em menino eu sonhava de ter uma perna mais curta (só para poder andar torto).
Eu via o velho farmacêutico de tarde, a subir a ladeira do beco, torto e deserto...

toc ploc toc ploc

Ele era um destaque.

Se eu tivesse uma perna mais curta, todo mundo haveria de olhar para mim?
Lá vai o menino torto subindo a ladeira do beco

toc ploc toc ploc

Eu seria um destaque.
A própria sagração do Eu.

 

(o poema é de Manoel de Barros, a imagem, de Ben Vautier)



Escrito por Daniela às 21:00
[] [envie esta mensagem]


 
  Mais cidades invisíveis...

 

A cidade em sol menor

João Ribeiro abre o portão da garagem e, como todas as tardes, pensa que já é hora de lubrificar aquela dobradiça que tanto o irrita, com seu som de palheta rachada. Entra, então, em seu fiat 147, que apelidou de 1812 (em homenagem aos canhões) e pensa logo na arte da fuga, nas noites de verão que tanto custam a chegar, nos prelúdios da tarde que alentaram sua sesta. Instala seu velho companheiro cremonense, modelo Amati, no banco do co-piloto, gira a cravelha, engata o ré e se junta ao fluxo korsakoviano. Pára na primeira fermata e, ao ouvir o ritmo engasgado do motor, pensa no conserto, e logo no concerto em que apresentarão as cinco peças para orquestra de câmara, de Webern: lebhaft und zart bewegt! A batuta baixou e é hora de se apressar.
Alguns compassos à frente, João se desconcentra, reproduzindo no volante o dedilhado daquele trecho difícil e, como de hábito, é preciso uma manobra súbita para fazer o ritornello e alcançar a rua do teatro. Duas buzinas produzem um intervalo que é quase uma terça menor (e não o agrada), e João pensa: `Cosi fan tutti!`. Mas logo se distrai novamente tentando ler a partitura dos pássaros sobre os fios-pentagramas. Que clave é aquela árvore do cerrado ao pé do primeiro poste? Três pares de sapatos pendurados pelo cadarço representam uma quiáltera? Que ritmo louco é esse que espalha tantas semicolcheias e semifusas pelas ruas da cidade? Quem é o maestro dessa louca sinfonia desconcertante? Estarão os percussionistas embriagados? Não existem pausas nessa musicografia caótica? Toda essa dissonância é incompetência dos músicos ou o mundo é um grande palco para a música atonal? Por que o apito do guarda produz um si bemol e não um lá? Em seguida, lembra-se da truta que o chefe de naipe prometeu para o jantar eleitoreiro da semana e este pensamento schubertiano o leva de volta ao concerto. Quando cai em si, o teatro já passou há algum tempo e precisa retomar o arco para completar o percurso.
Vida de músico não é fácil...



Escrito por Daniela às 11:02
[] [envie esta mensagem]


 
 


                                                              (do arquivo de imagens do Distrito Federal) 

As cidades sobrepostas 1

A cidade cujo nome tento me lembrar é resultado de uma tentativa inusitada de se construir um mapa em escala 1:1. Traçadas na terra vermelha as ruas, avenidas e praças (todas muito de acordo com o espírito da época), o labirinto op-art ficou tão fascinante que os ‘artistas’ responsáveis decidiram agregar uma terceira dimensão ao projeto, transformando o mapa em uma maquete gigante. Instalada a discórdia entre os desafiadores-das-leis-do-bom-senso sobre a escala a ser dada à maquete, decidiu-se por uma média aritmética das sugestões oferecidas por todos, chegando-se à estranha relação 1:1,333, ou seja: cada metro cúbico da cidade construída deveria conter 1,333 m3 de sonhos, ilusões e misérias de uma outra cidade qualquer (ou seria o contrário? agora já não tenho mais certeza).

Uma vez inseridos os moradores, claro que poucos dos que não nasceram naqueles blocos de concreto frios e gigantescos conseguiram adaptar-se à nova vida (todos os arquitetos deveriam ser condenados a viver no mínimo um ano em cada obra por si projetada). Quando o descontentamento tornou-se indisfarçável, a população concentrou-se em assembléia silenciosa, a fim de pensar em uma solução para o problema.

Resultado: lenta e imperceptivelmente, foi se agregando à cidade uma quarta dimensão. Nesta, ao contrário das demais, só se encontra quem se deseja encontrar, os ipês brancos apenas florescem para quem é capaz de enxergá-los, a chuva só cai quando a flor do maracujá se sente pronta para recebê-la, as folhas secas ruborizadas contam segredos ao azul sem nuvens, que os retransmitem ao sol, que os alardeiam ao fim da tarde, para que todos saibam que a quarta dimensão está em constante construção.

Enquanto isso, nas demais dimensões, a vida corre em seu ritmo frenético.

  

(texto que escrevi para a comunidade orkutiana As Cidades Invisíveis, cuja visita e adesão recomendo a todos que se interessem pela questão da exclusão social, e também por literatura - apesar de o proprietário da comunidade preferir não estimular muito este último aspecto)



Escrito por Daniela às 10:25
[] [envie esta mensagem]


 
 

 
(imagem: Balthus – The Drawing Room)

sala de estar - jogos de ser

Fábulas cobrem o chão,
braços e pernas moldam o sofá,
o sono extravia desejos.

A tarde é um gato branco.

Qual manto de inquietação,
irrompe ao piano um lá sustenido.

*

- Quer brincar comigo?

 



Escrito por Daniela às 07:39
[] [envie esta mensagem]


 
 

Que filme é você?
(clique na pergunta para saber)



Escrito por Daniela às 18:33
[] [envie esta mensagem]


 
 

  

La bêtise, c'est d'être surpris. (Roland Barthes)

 

(a foto é minha: marionetes típicas da Sicília – Catania, fev. 2005)



Escrito por Daniela às 10:31
[] [envie esta mensagem]


 
 

 

                The More Loving One
             (W.H. Auden)

Looking up at the stars, I know quite well
That, for all they care, I can go to hell,
But on earth indifference is the least
We have to dread from man or beast.
How should we like it were stars to burn
With a passion for us we could not return?
If equal affection cannot be,
Let the more loving one be me.
Admirer as I think I am
Of stars that do not give a damn,
I cannot, now I see them, say
I missed one terribly all day.
Were all stars to disappear or die,
I should learn to look at an empty sky
And feel its total dark sublime,
Though this might take me a little time.

 

(a foto é minha: Paepalantus – Serra do Cipó, jan. 2005)



Escrito por Daniela às 11:28
[] [envie esta mensagem]


 
 

FLICTS (Ziraldo)

Tudo no mundo tem cor
Tudo no mundo é
Azul
Cor-de-rosa
ou Fruta-cor
é Vermelho ou
Amarelo
Quase tudo tem seu tom
Roxo
Violeta ou Lilás
Mas não existe no Mundo
nada que seja "Flicts"
- nem a sua solidão -
Flicts nunca teve par
nunca teve um lugarzinho
num espaço bicolor
(e tricolor muito menos
- pois três sempre foi demais)
Não
Não existe no Mundo
nada que seja "Flicts"
Nada
no mundo é "Flicts"
ou pelo menos
quer ser

Mas ninguém sabe a
verdade
(a não ser
os astronautas)
que de perto
de pertinho
a Lua é flicts!

(a foto é minha: Serra do Cipó, jan. 2005)



Escrito por Daniela às 08:22
[] [envie esta mensagem]


 
  LECTURE ON NOTHING (John Cage)

 
                                                                                                                 (imagem: Joseph Beuys)

(...)

I am here, and there is nothing to say.
If among you are those who wish to get somewhere,
let them leave at any moment.
What we require is silence;
but what silence requires is that I go on talking.
Give any one thought a push; it falls down easily;
but the pusher and the pushed produce that entertainment called a discussion.
Shall we have one later?
Or we could simply decide not to have a discussion.
Whatever you like.
But now there are silences
and the words help make the silences.
I have nothing to say and I am saying it
and that is poetry as I need.

(...)



Escrito por Daniela às 12:11
[] [envie esta mensagem]


 
 

  True friendship comes when silence between two people is comfortable.


                                                                                                              (David Hockney)   

 

Estão vendo aquela cadeira ali à esquerda?
Pois é... para quem não me conhece, sou eu mesma que estou sentada nela.        



Escrito por Daniela às 09:39
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Mulher


HISTÓRICO
 01/06/2006 a 30/06/2006
 01/05/2006 a 31/05/2006
 01/04/2006 a 30/04/2006
 01/03/2006 a 31/03/2006
 01/02/2006 a 28/02/2006
 01/01/2006 a 31/01/2006
 01/12/2005 a 31/12/2005
 01/11/2005 a 30/11/2005
 01/10/2005 a 31/10/2005
 01/09/2005 a 30/09/2005
 01/08/2005 a 31/08/2005
 01/07/2005 a 31/07/2005
 01/06/2005 a 30/06/2005
 01/05/2005 a 31/05/2005
 01/04/2005 a 30/04/2005
 01/03/2005 a 31/03/2005
 01/02/2005 a 28/02/2005



OUTROS SITES
 Livro de Visitas
 PARA VER A PRIMEIRA PARTE DESTE BLOG, CLIQUE AQUI
 Observatório de ventos
 GiambolognaNet
 Quando, onde e como (blog da Sheila Leirner)
 Pensar enlouquece
 Pró Tensão
 Radamanto
 La République des Livres
 Sub Rosa
 Caminhar
 Almanaque
 poemasamostras
 Blog de Magda
 Blog do Isaac
 algaravária